Gramado e Canela: o m² mais caro do RS compensa?

Por Lúcio Carobin Machado · 3 de setembro de 2026

Gramado é o m² mais caro do Rio Grande do Sul: R$ 13.013 a mediana na nossa base — acima de Torres, de Xangri-lá e do dobro de Porto Alegre. Canela vem colada, a R$ 11.421. A pergunta honesta: pagar preço de capital europeia numa cidade de 40 mil habitantes compensa?

O que sustenta esse preço

Turismo o ano inteiro — Natal Luz, festivais, inverno — com a maior taxa de ocupação hoteleira do Sul. O imóvel em Gramado não é precificado como moradia: é precificado como ativo de hospedagem. Studios e apartamentos mobiliados operam em plataformas de temporada com diárias que cidade nenhuma do RS alcança.

O aluguel anual mediano de Gramado na nossa base — R$ 5.000/mês, o mais alto do estado — confirma: até a locação convencional ali é premium.

Quando faz sentido

  • Imóvel pequeno, central e mobiliado, comprado pra operar em temporada com gestão profissional.
  • Horizonte longo: quem compra Gramado compra a marca da cidade, que segue investindo pesado em atração de turista.

Quando NÃO faz sentido

  • Se a conta depende de diária otimista o ano inteiro: ocupação tem sazonalidade e concorrência crescente de estoque novo.
  • Se o mesmo capital, na Serra industrial ao lado, compra três imóveis em Caxias (m² R$ 5.637) gerando aluguel convencional sem depender de turista.

O caminho do meio

A região das Hortênsias tem entorno: Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, Picada Café — cidades no caminho do turista com m² muito abaixo. É o mesmo raciocínio de Tramandaí ao lado de Capão: a demanda escorre pras vizinhas quando a âncora encarece.

Veja o estoque: imóveis em Gramado e em Canela. Pra comparar com a Serra industrial, Caxias do Sul.


De onde vêm esses dados

Nenhum número deste artigo é opinião ou estimativa de gabinete. A xcub mantém uma base de dados própria que monitora continuamente mais de 126 mil anúncios ativos — 107 mil de venda e 18 mil de locação — publicados por mais de 3 mil imobiliárias gaúchas registradas no CRECI/RS, cobrindo o estado inteiro, com atualização diária (números de setembro de 2026).

Os valores citados são medianas: metade dos imóveis anunciados custa menos, metade custa mais — medida mais honesta que a média, que qualquer cobertura de luxo distorce. Mercado muda; antes de decidir, fale com a gente ou avalie seu imóvel com essa mesma base.

Lúcio Carobin Machado

Corretor de Imóveis — CRECI/RS 69741 · Bacharel em Direito (FURG), pós-graduado em Direito Imobiliário e Notarial

Sócio da xcub. Empresário e investidor imobiliário.

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